Friday, April 18, 2008

Acampamento 1968

Esta foto é do longínquo acampamento de 1968 que decorreu na vila de Tarrafal de Santiago.
As caras são totalmente desconhecidas por nós, sendo certo que os mais velhos, possivelmente, reconhecerão os campistas dos anos sessenta.
Este é mais um capitulo da nossa rica história.

Thursday, April 17, 2008

4 Jovens Nazarenos morrem num acidente

A tragédia aconteceu no dia 12 de Abril passado, em LA - EUA. Quatro jovens nazarenos morreram num brutal acidente de automóvel deixando a família mergulhada em profunda tristeza. Segundo a polícia, a causa do acidente terá sido excesso de velocidade.
O pai de um dos jovens que é pastor caiu em depressão. Oremos a favor dessas famílias enlutadas.

Coluna do Dr. João Gomes

CRISE DA REALIDADE
«E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; Para que andeis honestamente, para os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma» - I Tessalonicenses, cap.4, vers.11 e 12.
Em Cabo Verde, é visível, apesar da pobreza estrutural, a transformação do aspecto físico das nossas vilas, aldeias e cidades. Rasgaram-se estradas pelos mais variados rincões, construíram-se escolas e liceus um pouco por todo o lado, ergueram-se infra-estruturas básicas que modificaram, qualitativamente, o dia-a-dia dos cidadãos mas, ficou esquecido que nem só de betão vive o homem cabo-verdiano. Têm faltado políticas de sustentabilidade social e falhou-se, redondamente na criação de condições que permitissem às classes mais desfavorecidas irem ficando, paulatinamente, menos dependentes dos tais famigerados “empregos públicos” ou dos “contratos-programa” com as autoridades locais. Ano entra, ano sai e a lenga-lenga é a mesma. Cai chuva, há sorrisos, não cai chuva, há choro. Nada de novo debaixo do sol!
Mas, do meu ponto de vista, o desenvolvimento fez firmar uma ideia muito perniciosa incutida na mente das pessoas, a de que todos podem ter tudo, e que o cidadão cabo-verdiano pode levar uma vida de cidadão do 1º mundo. «Não interessa o teu rendimento familiar, queres ter, tem!» Como? Desenrasca-te! E com que consequências? Passamos a viver aquilo que alguém chamou de CRISE DA REALIDADE. Ou seja, as pessoas passaram a viver num fausto irreal, suportado por nuvens de impossibilidades e por carradas de alicerces podres. O que se tem não se consegue pagar. Como suportar prestações mensais de 100, quando o rendimento familiar é de 20?! Mas, que importa!? Se fulano tem, eu também tenho de ter, porque não?! E esqueço que fulano também está a enganar-me, pois o que ele tem também não está a conseguir pagar. E toda essa crise de realidade traz por arrastão, o germe da destruição do tecido social!
Essa crise de realidade força então a uma rabidância sem limites. Como meio de atingir fins sempre materialistas, prostituem-se mentalidades, enganam-se pessoas, sacrificam-se convicções, sempre na ânsia de ter mais e mais. Ninguém tem paciência para esperar, consequentemente, ninguém batalha por coisa alguma com carácter colectivo. Se se entregar a alguém ou a alguma coisa for a única solução para ter mais e mais de forma rápida, que seja! Não importam mais as convicções, nem a aposta em carreiras francas e honestas, nem a construção do nome e dignidade profissionais, valores caros nos tempos dos nossos pais, estes que nunca estão fora de moda. Antes, continuam sendo baluartes da honra e do bom-nome, bens inestimáveis e de valor incalculável.
O cinismo ganhou papel de destaque. Como forma de colher louros e vantagens, finge-se acreditar no outro, a mão que afaga é a mesma mão que bate, e o sorriso da chegada é o escárnio da partida. Defendem-se pessoas e projectos não pelas matrizes que os corporizam mas pelas vantagens, quase sempre financeiras, daí advenientes. Fulano pode até ter as ideias certas, mas como não tem “nada” para oferecer, prefere-se o silêncio, a omissão, em vez da luta por uma crença. Porque com os bolsos cheios de honestidade e de convicções, não se consegue suportar a «casa do tolo que sobre a areia se fez», como ensina o coro evangélico!
Nós, os cristãos, somos chamados a mudar este quadro. Temos de pugnar por ideais mais nobres, sem pôr em causa o legítimo direito individual de «subir na vida». Contudo, este direito não deve ser exercido à revelia da realidade, nem à custa do amordaçamento das convicções nem da morte das emoções. Meu povo já não se emociona, tornou-se duro. Meu amigo vê em qualquer frase mansa minha, uma ameaça ao seu mundo e à possível descoberta da sua arca dos tesouros escondidos. E assim, vamos cada vez mais ficando distantes uns dos outros. Nós não podemos continuar a manter o ter à frente do ser. Torna-se necessário resgatar valores imateriais como a nobreza do carácter, o acreditar nas coisas que a traça e a ferrugem não consomem, vivendo daquilo que as nossas mãos produzem, andando honestamente e aí veremos, que não necessitaremos de coisa alguma. Deus nos ajude!
Nota: Há 5 anos atrás escrevi um artigo semelhante a este para o Jornal “A Semana”. Por estar a conversar com um amigo meu sobre este assunto que continua sendo actual, resolvi voltar a publicá-lo, depois de feitas as necessárias adaptações.

O TODO É DIFERENTE DA SOMA DAS PARTES

Neste momento todos devem estar com um grande ponto de interrogação perguntando o porquê deste título, mas não é nada de excêntrico. Simplesmente quero dizer que agora mais do que nunca devemos estar unidos, pois, no mundo em que nós somos confrontados, a um ritmo alucinante, com toda a espécie de estudos que querem provar que o que cremos realmente, não tem uma prova científica. Mas é a ciência que procura, e é a que está cada vez mais perto de dar uma resposta à pergunta que não quer calar, «será que DEUS existe?».
Às vezes caímos na tentação do «está cientificamente provado» mas nem tudo que é ciência é verídica e coerente afim de convencer-nos a praticar as evidências que defendem. Em CRISTO somos um mas a nossa consciência sempre nos leva a crer e a praticar coisas que nós achamos correctas. Afinal de contas, há várias características que nos distinguem e nos tornam num ser único, mas isso não justifica a nossa falta de unidade, onde cada um pensa de uma forma, sem que haja uma consciência colectiva.
Cada um de nós é uma parte deste todo, mas cada uma das partes deve ser vista a desempenhar a mesma função dentro do todo a que pertence. Ou seja o nosso comportamento deve ser igual dentro e fora do todo. Só assim alcançaremos os nossos objectivos, e levar as pessoas a crer que a união faz a força.
Tomar o todo pelas partes leva-nos a não poder ser a excepção a regra. No mundo onde tudo é normal, um que apresenta diferenças, é criticado e muitas vezes posto à margem. Mas que isso não nos abale mas pelo contrário nos torne mais fortes para prosseguir e continuar a nossa jornada.
Estamos num mundo onde experimentamos situações, por vezes desconfortáveis, em que nós reconhecemos que não demos a nossa opinião pessoal a respeito de determinado assunto ou acontecimento. Por exemplo, tu e um grupo de amigos foram assistir um filme na casa de um dos membros do grupo, mas acabas por ver o filme, que não gostas particularmente.
Mas se o grupo que te acompanha mostrar entusiasmo sentes pressionado a concordar ou a ficar em silêncio a fim de não mostrar a tua opinião discordante da dos outros. Nós simplesmente nos conformamos. O que quero dizer com isso? Que o conformismo é uma forma de influência, onde nós mudamos de comportamento e de atitude por pressão do grupo ou porque não queremos parecer “do contra” e que por vezes fora do todo não temos a oportunidade de mostrar realmente qual é a nossa posição, andando de mãos dadas com o conformismo.
É difícil resistir a pressão do grupo mas não é algo impossível de ser realizado, é basta querer e acreditar. Mas se não somente tu tiveres a mesma opinião sobre um determinado assunto terás mais motivação para se defender. Assim deve ser dentro do todo. Se todos vêm uma coisa de determinada forma, nem estamos a confundir os que nos ouvem ou que nos vêm, nem estaremos confundindo a nós mesmo do que somos. Estaremos deixando reflectir o que somos através dos nossos actos. Mas deixo aqui um apelo para si:
“ Acredite, lute, tente, e opine, não se conforme com o mal, confie mais no teu juízo e opinião desde que este esteja de acordo com o bem, e sem que isso vá magoar terceiros, não ceda ao conformismo. Escolha nos vários caminhos da vida o melhor, só assim triunfarás.”
Ah!!! E não se esqueça - o todo é diferente da soma das partes.
Regina Ramos

Nota: Regina tem 16 anos, é membro da nossa igreja em Ribeira Grande - Santo Antão

Wednesday, April 16, 2008

Mario inscrito na Rocha

O nosso amado colega e irmão Rev Mario Rodrigues inscreveu o seu nome na rocha. Não importa onde se encontra a tal rocha. Flagrámos o nosso irmão se escrevendo. Está escrito o seu nome na rocha da Boavista para, mais tarde, ninguém vir dizer que ele não é de Bubista.
O nosso irmão, para além de ter sido inscrito no Céu, também se inscreveu na terra.

Está escrito "assim na Terra como no Céu".

Deus abençoe o nosso irmão Rev. Rodrigues.

Tuesday, April 15, 2008

Martinho da Vila

Quem não se lembra dele? O nosso irmão Zé Carlos de Bubista continua igual a si mesmo. Está sempre acompanhado do seu violão.
Ele ficou conhecido como "Martinho da Vila". Ele recebeu este título devido à sua veia musical e humorística. Aliás, é quase impossível estar perto dele e conseguir segurar a graça. Certamente, muitos já estão a rir vendo Zé Carlos com a barriga de fora e com aquela cara.
Mas a verdade que todos terão prazer em saber é que o nosso irmão Zé Carlos continua firme e fiel servindo a Deus na sua igreja em Sal Rei.
Ele é um grande humorista e um grande irmão.
Zé Carlos, Deus te abençoe.

Monday, April 14, 2008

Daniel Delgado

O cabo-verdiano Daniel Delgado, 43 anos, não tem problemas de auto-estima. Quando marcamos para nos encontrarmos, a referência que me passou foi: “Encontre-me na frente do banco. Eu sou o bonitão de cabelo grisalho.”
Ele é, realmente, um homem calmo, amigável e bonito. Mas nem sempre foi assim. Por muito tempo, Delgado foi um delinquente, vivendo de drogas, álcool e bandidagem. Mudava de país, mas o padrão continuava o mesmo.
Em 2000, no entanto, a sua vida “deu uma cambalhota”. Aos 35 anos, descobriu que era seropositivo. E achou que o melhor seria suicidar-se. Mas, felizmente, nem tudo saiu como planeado.
Depoimento de Daniel Delgado:
Desde muito cedo, o meu estilo de vida era perigoso. Nasci em Cabo Verde, mas mudei-me para Portugal aos 12 anos. Tive o meu primeiro contacto com drogas aos 13. Estudei só até ao quinto ano.
Aos 21 anos, voltei para Cabo Verde. Casei-me e tive uma filha. Depois de dois anos, fui com a minha família para os Estados Unidos. Era em 1987. Usava drogas escondido. Um dia a minha mulher encontrou maconha e cocaína numa das minhas roupas. Foi quando nos separamos.
Acho que foi nessa fase que me infectei. Eu era delinquente, consumia drogas, fazia assaltos à mão armada. Praticava também sexo desprotegido. Depois de sete anos nos EUA, fui deportado.
Em Cabo Verde, passei um tempo nas Tendas El-Shaddai, um centro de reabilitação para toxicodependentes, mas sempre pensando em como voltar para Portugal. Parti pela segunda vez para Lisboa no final de 1999.
Alguns meses depois de ter chegado a Portugal descobri ser seropositivo.
O diagnóstico
Eu era pintor de construção civil quando fui diagnosticado em 2000. Fazia trabalho pesado. Um dia, fui fazer xixi e saiu um jacto de sangue. No hospital, fizeram exames de sangue e mandaram-me para casa.
Comecei a piorar. Não conseguia ficar de pé. Tinha diarréia, vomitava. Voltei ao hospital e fiquei na Unidade de Terapia Intensiva até que me deram uma resposta: eu era seropositivo.
Naquela hora, só pensei em matar-me. Eu tinha um conhecido que tinha falecido de sida. Dois dias depois do diagnóstico, resolvi atirar-me do quinto andar do hospital. A sorte foi que uma enfermeira entrou no quarto e impediu-me de saltar.
Fiquei internado por três meses. Comecei com os antiretrovirais (ARVs) e recebi alta. Mas por causa de problemas pessoais, voltei às drogas e à bebida. Joguei os ARVs no lixo e comecei a viver na rua. Não percebia que a minha vida estava acabando aos poucos.
Um dia, uma instituição evangélica Portuguesa chamada Desafio Jovem encontrou-me e levou-me para um centro comunitário. Estava com diarréia, febre, tuberculose, perda de peso, tudo junto. Cheguei a pesar 36 kg. Lá coloquei a minha vida em ordem e voltei a ficar bem.
Nessa época pus os dois pés no chão e resolvi parar de brincar com a vida.
Voltar para casa
Decidi voltar para Cabo Verde para ajudar outras pessoas, como fizeram comigo. Mandei cartas para amigos e família, dizendo que tinha HIV e que estava a retornar. Ninguém conseguia aceitar. Poderia acontecer com todos, menos comigo.
Naquela época ainda não havia ARVs em Cabo Verde. Mesmo assim, juntei três meses de tratamento e voltei para Pedra Badejo em 2004. Fui trabalhar como voluntário com toxicodependentes nas Tendas El Shaddai.
A minha filha e a minha ex-mulher souberam que eu era seropositivo através de pessoas em Cabo Verde. A minha filha foi até fazer uma formação para entender melhor o que era o HIV. Depois conversou comigo e veio dos EUA até Cabo Verde para me dar um abraço de encorajamento.
Eu estava preocupado porque os meus ARVs já estavam no fim. Recebi então um telefonema da Dra. Jaqueline Pereira, do Ministério da Saúde, dizendo que tinha um presente para mim. Eram antiretrovirais. Quase explodi de alegria. Fui um dos primeiros a recebê-los quando eles chegaram ao país.
Desde que voltei a Cabo Verde, nunca mais tive recaídas nas drogas. Passei a participar em seminários, formações, até que me convidaram para trabalhar com a organização não-governamental Morabi, num projecto do Millenium Challenge Account.
Em Cabo Verde ainda existe muito preconceito. Quando cheguei, eu não era mais o Daniel bonitão, eu era o Daniel seropositivo. Não é falta de informação, as pessoas são muito fechadas. Em certas zonas nem querem ouvir falar disso. Precisa de muito trabalho.
Eu faço o que posso fazer. Hoje trabalho como activista, ensinando a operários de construção como prevenir a sida. No final do ano passado, criei uma associação para reivindicar os direitos dos seropositivos. É uma luta de todos, embora nem todos participem. Mas eu gosto do meu trabalho e de saber que estou a ajudar outras pessoas. Se parar, volto à estaca zero.
Fonte: IRIN/Plus News

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