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Monday, December 29, 2008

Malvina morreu há 30 anos

Malvina, natural do Fogo, filha de Doutor de Tarecha, morava em Monte Tabor. Na tarde do longínquo dia 29 de Dezembro de 1978, Malvina vendo o fim do ano a chegar e sem nada em casa para comer, decidiu procurar no mar algo que, em terra, apesar de vasculhar por todo o canto, não encontrara. Ela não tinha medo de trabalho, mesmo ao que era reservado aos homens. Ela era valente e brincalhona.
Depois de bater em muitas portas que, entretanto, permaneciam fechadas, resolveu ir buscar no mar o que a terra lhe havia negado – o sustento. Nem o mar agitado por esta altura do ano a demoveu. Ela foi e não voltou. O corpo foi resgatado no dia seguinte. A tristeza era geral e ninguém ousava dizer o que terá levado Malvina ao mar naquela tarde ventosa. Falou-se muito, mas a verdade nunca foi dito.
Pesqueiro, local onde o mar engoliu a nossa Malvina, nunca mais ficou o mesmo. Deixou de ter aquele encanto que atraía tanta gente à sua praia de areia negra.
Todo esse mistério resulta da verdade que foi proibida de ser contada, uma proibição que ninguém sabia a procedência. Foi dito que se disse que ninguém devia dizer que ela estava a passar por sérias dificuldades em casa.
Que verdade? Todos sabiam a causa da morte da Malvina, ou melhor, o que levou Malvina ao mar naquela tarde. Ela estava a passar fome em casa. Foi proibido dizer, na altura, que ela estava a passar fome. O desespero levou-a ao mar para tentar pescar e o mar a pescou para todo o sempre.
Preferiu morrer afogada a morrer de fome porque não gostava de cruzar os braços.
Que ninguém venha dizer que só se morreu de fome em Cabo Verde, nas décadas de 40.
Hoje, 30 anos depois, lembramos dela. Malvina!

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