-Com o melhor gosto, pois as impressões são as melhores, mas corrija a sua forma de dizer: Desde 11 de Janeiro de 1948, deixou de haver uma Missão na ilha do Maio para se tornar numa igreja organizada, com 27 membros.
- Pelos vistos, desde as primeiras impressões...
- Foram esplêndidas. Ao chegar à casa do irmão António Gomes de Jesus (dia 6, à noitinha), soube que ainda se encontrava na casa do culto, porque 3 pessoas tinham ficado para conversão. Dirigi-me para lá e, tendo-os encontrado de joelhos, orando, exclamei: Que bela cena!
- Se tudo continua assim, deve ter gostado muito.
- É verdade. Na 5ª feira houve culto e uma festazinha de recepção, (cheguei inesperadamente), com uma assistência de cerca de 170 pessoas.
- Belo.
- No dia 9, alem do “almoço semanal” na casa de culto, tivemos à noite, um serviço extraordinário. No sábado recebeu-se o seguinte bilhete: “Sr. António: chegou o dia. Já quero purificar o meu coração e ser um servo fiel de Deus. Por isso mando-lhe perguntar se posso ir lá agora.” Claro que a resposta afirmativa não se fez esperar.
- Então houve algumas conversões sem a seguir aos cultos?
Mas, sim, senhor. É uma coisa que me impressionou. As sementes anteriormente lançadas vão germinando admiravelmente. Nessas condições e durante os 10 dias que ali passei, 15 pessoas se converteram. Ao todo, só neste ano, já se salvaram 17 almas.
- Há algum segredo para tais vitórias?
- Oração e mais oração. O pastor, a Juventude, a Liga de Jejum e Oração e a Igreja oram a tempo e fora de tempo. A propósito, fiquei satisfeitíssimo com as reuniões de oração e jejum. Para uma igreja tão bebé é expressivo o número de comungantes. Na primeira 6ª feira, compareceram 14 pessoas, das quais 12 oraram em voz alta; na sexta seguinte, compareceram 29, orando 19. As orações oferecidas são sempre ungidas e sinceras.
- Baptismos e dedicações?
- Houve 23 baptismos e 5 dedicações de crianças.
Receberam-se 23 membros que se haviam convertido nessa ilha e 4 por transferência. Nesse dia realizou-se a Ceia do senhor, com 30 comungantes. Foi a primeira vez que o povo dessa ilha viu baptismos evangélicos, dedicações de crianças e recepção de membros. Também foi a primeira vez que o povo pôde ver os cristãos a tomarem a Ceia do Senhor. Sob as duas espécies de pão e vinho.
- Bravo? Mas vou mudar de assunto, porque não o vejo na disposição de parar... então não lhe fizeram uma festinha com qualquer coisa... de comer?
- Está sendo muito curioso... mas vá lá: a Juventude e a Igreja fizeram-me uma óptima festa, com recitações, jogos, e... um chá. E aqui para nós: os bolos, bem bons, traziam quase todos um “M” significando “Mosteller”. A festa foi muito concorrida e alegre. Antes de principiar, o espírito do Senhor já estava trabalhando no coração dos que ali estavam, pois que 7 almas se entregaram a Jesus. Foi o prelúdio, com regozijo nos Céus e na terra. Gloria a Deus!
Para terminar, pois não tenho palavras e adjectivos para dizer tudo: No primeiro dia do ano, o irmão António foi procurado por um rapaz surdo, que lhe disse que desejava converter-se. Apesar de todas as diligências empregadas, o irmão António não conseguia fazer-se perceber. Orou ao Senhor, mais de uma vez, pedindo o seu auxilio naquele caso. Na vez final, começou dizendo, mais ou menos: “Ó Deus de misericórdia...”; e o surdo foi repetindo as mesmas palavras, ate findar a oração, sem falhar uma só vez! Agora está como o cego de Betsaida (Marcos 8:24), porque, não ouvindo anteriormente absolutamente nada, agora já houve quando se lhe dirige em voz alta e clara.
Oremos: Que Deus lhe dê o segundo toque nos ouvidos, e que a igreja do Maio em breve tenha a Capela por que está orando. AMEM
“In Epistola às Missões, Vol. 2, Nº 1, Janeiro/1948”
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